A Síndrome de Burnout é um estado de estresse crônico ligado ao ambiente de trabalho, resultando em esgotamento quando não há ferramentas de gerenciamento adequado do nível de estresse. Cientificamente falamos desse fenômeno especificamente ao contexto ocupacional, ou seja, os sinais e sintomas se manifestam no trabalho, não impactando diretamente outras áreas da vida. Mas clinicamente é possivel perceber que muitas vezes os sinais e sintomas são generalizados, por mais que o fator estressor esteja relacionado ao trabalho, tendo em vista os outros sintomas que podem ocorrer. Há também algumas linhas sutis de movimentação sobre pesquisas relacionando Burnout materno em decorrência das atividades de cuidado exercida pelas mulheres, além do acúmulo de atividades. E nos atendimentos de adolescentes, também é possível perceber um aumento do nível de estresse excessivo em decorrência dos estudos.
Questionário de Avaliação da Síndrome de Burnout:
Inspirado no Link Burnout Questionnaire (LBQ) e no Maslach Burnout Inventory (MBI), este questionário foi retirado da plataforma Wemeds e é recomendado para pacientes que mostram sinais de estresse excessivo ou exaustão relacionados ao trabalho. A ferramenta é simples e é divididas em três categorias principais: exaustão, despersonalização e desmotivação. Cada pergunta tem seis opções de resposta, refletindo a frequência dos sintomas: nunca, raramente, uma ou mais vezes por mês, aproximadamente toda semana, várias vezes por semana ou todos os dias.
Time's up
Pontuação 20 = nenhum indício aparente de Síndrome de Burnout. Conduta: Nenhuma conduta é necessária.
Pontuação 21-40 = É necessário tomar medidas de prevenção como: cuidar da rotina, alimentação e atividades de lazer.
Conduta: oferecer medidas de prevenção, como manutenção de uma rotina saudável, prática regular de exercícios físicos, manejo do estresse e psicoterapia.
Pontuação 41-60 = O paciente pode estar em fase inicial da Síndrome de Burnout. Conduta: oferecer medidas de prevenção de forma mais assertiva, como manutenção de uma rotina saudável, prática regular de exercícios físicos, alimentação, manejo do estresse, atividades de lazer e psicoterapia. Considerar modificação de tarefa ou de emprego.
Pontuação 61-80 = O paciente pode estar com a condição estabelecida. Conduta: considerar tratamento com psicoterapia e técnicas de mindfulness, e orientar medidas preventivas para que a condição não evolua. Considerar modificação de tarefa ou de emprego.
Pontuação > 80 = o paciente pode estar em estágio avançado da síndrome. Conduta: Considerar tratamento com psicoterapia e técnicas de mindfulness. Se houver pensamentos depressivos ou ansiosos em alta intensidade, considerar farmacoterapia específica. Pode ser necessário propor afastamento do trabalho até melhora dos sintomas.
Lembre-se: a síndrome de esgotamento é tratável. Em casos mais leves, apenas mudanças de rotina podem ser suficientes. Em casos mais graves, a troca de emprego deve ser considerada, além de tratamento com psicólogo e psiquiatra.
Limitações e armadilhas
O questionário é uma adaptação de outras duas ferramentas.
Há risco de confusão com sintomas depressivos ou ansiosos. É importante excluir tais diagnósticos.
Por fim, é importante destacar que o uso do questionário não é um critério diagnóstico definitivo. Apenas auxilia na identificação de uma das possíveis causas de estresse excessivo ou crônico e condutas para remedias a situação e voltar a ter melhor qualidade de vida.
Referências:
Suleiman-Martos N, et al. The effect of mindfulness training on burnout syndrome in nursing: A systematic review and meta-analysis. J Adv Nurs. 2020 May;76(5):1124-1140. doi: 10.1111/jan.14318.
Maresca G, et al. Coping Strategies of Healthcare Professionals with Burnout Syndrome: A Systematic Review. Medicina (Kaunas). 2022 Feb 21;58(2):327. doi: 10.3390/medicina58020327.
Maslach Burnout Inventory™ (MBI). https://www.mindgarden.com/117-maslach-burnout-inventory-mbi
Maslach, C.; Jackson, S.E. (1981). “The measurement of experienced burnout”. Journal of Occupational Behavior. 2 (2): 99–113. doi:10.1002/job.4030020205.